Mercado sobe a previsão para a inflação e vê a taxa de juros mais alta em 2021

O mercado financeiro voltou a elevar as perspectivas para a inflação, a taxa de juros, a recuperação da economia e o câmbio em 2021, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 12. A mediana da pesquisa do Banco Central feita com mais de 100 instituições financeiras apontou para o avanço de 6,11% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira. Esta é a 14ª semana seguida de elevação da projeção. Na semana passada, a previsão apontava o avanço de 6,07%. O BC persegue a meta inflacionária de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. O índice foi a 8,35% em 12 meses encerrados em junho, quando registrou alta de 0,53%. A expectativa para a inflação de 2022 sofreu leve queda, de 3,77% para 3,75%. A meta para o IPCA no ano que vem é de 3,50%, com variação entre 2% e 5%.

Banco Central já abandonou a expectativa de fechar 2021 abaixo do teto da meta. A estimativa publicada no relatório da inflação do segundo trimestre aponta para avanço de 5,8% diante do encarecimento das commodities e da recente pressão da energia elétrica. Segundo o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, a inflação se disseminou pela cadeia econômica, mas as pressões ainda possuem natureza temporária. O avanço da inflação fez os analistas do mercado revisarem a Selic, a principal ferramenta do BC para conter a variação de preços, para alta de 6,50% para 6,63% em 2021, e 6,75% para 7% em 2022. O Comitê de Política Monetária (Copom) acrescentou 0,75 ponto percentual na taxa de juros em junho, subindo a Selic para 4,25% ao ano. O colegiado afirmou que deve fazer novo acréscimo da mesma magnitude em agosto, mas “deixou a porta aberta” para alta mais elevada, estimada pelo mercado em 1 ponto percentual.

A estimativa com o Produto Interno Bruto (PIB) também foi revista para cima, com alta de 5,26%, ante 5,18% estimada na semana passada. A previsão para 2022 foi alterada levemente, passando de 2,10% para 2,09%. A mediana para o câmbio também sofreu leve mudança, de R$ 5,04 na semana passada para R$ 5,05. O dólar retomou a trajetória de alta no início de julho em meio ao recrudescimento do ambiente político em Brasília. Desde o dia 1º, a moeda norte-americana voltou a ser negociada a acima de R$ 5. O câmbio opera instável nesta segunda-feira, na casa de R$ 5,24.