Com alta de preços no mercado interno, empresários recorrem a importação de aço

A escalada de preços está levando empresários brasileiros a importar aço. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também quer economizar comprando fora os produtos. O setor pede ao governo federal uma redução da alíquota de importação de 12% para 1% durante período de seis a 12 meses. O presidente da Câmara, José Carlos Martins, diz que há uma valorização mundial das commodities, mas aponta exagero nos preços praticados no Brasil. “Nós estamos trazendo com o maior dos problemas, cheio de barreira técnica, alfandegária, falta de estrutura, falta de rede de distribuição e mesmo assim a gente consegue chegar mais barato que o aço nacional. Se a gente derrubar o imposto de importação, isso se tornará incentivo para criarmos uma rede interna de distribuição, de corte e dobra e coisas desse tipo”, pontua. Um grupo de 137 empresas trouxe 20 mil toneladas de aço da Turquia, sendo o primeiro de um total de três lotes para abastecer as regiões Sul, Sudeste e Nordeste. José Carlos garante que o setor não cresce mais por causa da política de preços das siderúrgicas nacionais. “O mercado tá muito receoso de pegar um contrato e daqui a pouco não dar conta porque o aumento do custo não está dentro do que negociei”, conclui.

O Instituto Aço Brasil rebate os argumentos dos compradores domésticos. O presidente Marco Polo de Mello Lopes lembra que a tonelada do vergalhão, em maio, custou 922 dólares, valor abaixo dos Estados Unidos (935 dólares) e México (974 dólares), e acima da Europa e da China, que têm custo de 874 e 815 dólares, respectivamente. “As diferenças são pequenas. A CBIC em uma primeiro momento comunicou que esse material estava chegando 5% abaixo do que é pratico no mercado interno e depois comunicou que, na verdade, essa diferença era maior, 25%. É uma opção comercial”, disse. Segundo Marco Polo, nos cinco primeiros meses de 2021, entraram no Brasil 1,5 milhão de toneladas de aço. Ele é contra a diminuição da alíquota, que criaria concorrência no mercado dominado pela indústria nacional. “Toda essa pressão que a CBIC exerce junto ao governo para redução do imposto de redução tem como objetivo melhoria de imagem da operação, porque esse material em Santa Catarina, que é um Estado que tem uma isenção diferente, já se tem aí uma vantagem no pagamento de importação. E o que se pretende é aumentar a margem da operação, do negócio”, afirmou. O setor automotivo e a indústria de máquinas e equipamentos também reclamam dos preços atuais. O Instituto Aço Brasil diz que a produção está batendo recordes, consegue atender a demanda e o preço está compatível com o mercado mundial.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos